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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Adriana Calcanhotto - O Poeta Aprendiz

Um poema de Vinícius sobre si próprio mas em menino. E uma canção em duas versões: uma cantada por Vinícius e a outra, no vídeo, cantada e ilustrada pela Adriana Calcanhotto.

 Vinicius de Moraes - O Poeta aprendiz


Ele era um menino
Valente e caprino
Um pequeno infante
Sadio e grimpante
Anos tinha dez
E asas nos pés
Com chumbo e bodoque
Era plic e ploc
O olhar verde gaio
Parecia um raio
Para tangerina
Pião ou menina
Seu corpo moreno
Vivia correndo
Pulava no escuro
Não importa que muro
Saltava de anjo
Melhor que marmanjo
E dava o mergulho
Sem fazer barulho
Em bola de meia
Jogando de meia-direita ou de ponta
Passava da conta
De tanto driblar

Amava era amar
Amava Leonor
Menina de cor
Amava as criadas
Varrendo as escadas
Amava as gurias
Da rua, vadias
Amava suas primas
Com beijos e rimas
Amava suas tias
De peles macias
Amava as artistas
Das cine-revistas
Amava a mulher
A mais não poder
Por isso fazia
Seu grão de poesia
E achava bonita
A palavra escrita
Por isso sofria
De melancolia
Sonhando o poeta
Que quem sabe um dia
Poderia ser
(Vinícius de Moraes)

terça-feira, 5 de maio de 2009

Adriana Calcanhotto - O Vestido

Para mim tudo é, aqui, novo, neste vídeo.

Não,eu não posso lembrar que te amei
não, eu preciso esquecer que sofri
faça de conta que o tempo passou
e que tudo entre nós terminou
e que a vida não continuou pra nós dois
caminhemos,talvez nos vejamos depois
vida comprida, estrada alongada
parto à procura de alguém
ou à procura de nada
vou indo caminhando
sem saber aonde chegar
quem sabe na volta
te encontre no mesmo lugar

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Adriana Calcanhotto - Saudade de Amar


Hoje apenas exponho o meu espanto perante este poema de Vinícius de Moraes e perante a voz da Adriana Calcanhotto. Por fim sobra-me espanto por esta canção formalmente perfeita.

(Fonte: Rádio Alto Ave)



 Francis Hime e Adriana Calcanhotto - Saudade de Amar



Deixa eu te dizer, amor
Que não deves partir
Partir nunca mais
Pois o tempo sem amor
É uma pura ilusão
E não volta mais

Se tu pudesses compreender
A solidão que é
Te buscar por aí
Andando devagar
A vagar por aí
Chorando a tua ausência

Vence a tua solidão
Abre os braços e vem
Meus dias são teus
É tão triste se perder
Tanto tempo de amor
Sem hora de adeus

Oh, volta
Que nos braços meus
Não haverá adeus
Nem saudade de amar
E os dois, sorrindo a soluçar
Partiremos depois
(Vinicius de Moraes/Francis Hime)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Adriana Calcanhoto e Bossacucanova - Previsão

Se juntarmos uma batucada a um ritmo bossa nova temos uma nova bossa nova dançável. É isso que fizeram os Bossacucanova que também convidaram a Adriana Calcanhotto para este tema muito positivo, boa onda.

 Adriana Calcanhoto e Bossacucanova - Previsão


Pode sambar, pode esquecer
Na orgia a sua vida
Até amanhecer
Pode girar, enlouquecer
Madrugada afora na batida

Cedo ou tarde
Chova ou faça sol
Sopre o sudoeste, sopre o terral
Brisa leve, temporal
O meu coração, 42 graus

Não tem pressa
Rave ou Carnaval
Se te pego pra dançar
Você nunca mais me larga
Technova, cha cha cha
Você não vai escapar

Pode espalhar sua beleza
Que o meu desejo hoje é só certeza
Desafiar a natureza
Abandonando o corpo entre carrapetas
Vai desfilar sua leveza
Na escuridão da pista, na batida

Cedo ou tarde
Chova ou faça sol
Sopre o sudoeste, sopre o terral
Brisa leve, temporal
O meu coração, 42 graus

Não tem pressa
Rave ou Carnaval
Se eu te levo pra dançar
Nunca mais você me larga
Drum n' bossa, Ijexá
Não me escapa!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Maria Bethânia e Adriana Calcanhotto -
Depois de Ter Você

Quando era mais novo e discordava de alguma coisa julgava que essa seria a minha opinião para sempre. Hoje já percebo o peso que as mudanças culturais têm nas nossas opiniões. E isto a propósito do "selinho" que hoje ainda me choca razoavelmente mas que daqui a anos considerarei como algo normal.

"...a moda do selinho já é uma conquista definitiva. A onda, que vem do Rio de Janeiro, é o beijo "selinho" (só o toque dos lábios). Um fato verificado normalmente entre pessoas do meio artístico e que era comum entre universitários em décadas passadas. Agora, começa a ser observado em todos os segmentos da sociedade. Estes podem até chocar os mais conservadores, mas são dados com naturalidade." (in O Beijo de Arnaldo Poesia)

No primeiro vídeo uma adolescente pede um selinho ao Caetano. É interessante ver como nós portugueses nos sentimos face à facilidade e naturalidade que brasileiros têm para exprimir afectos.
No segundo vídeo um dos melhores poemas de amor... e outro selinho.

Depois de ter você
Pra que querer saber
Que horas são?

Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve
Uma canção como esta?

Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Pra que servem as ruas?
Depois de ter você...
(Adriana Calcanhotto)






quarta-feira, 25 de março de 2009

Adriana Calcanhotto - Naquela Estação

Não gosto de canções tristes sobretudo se são daquelas que puxam para baixo. Para isso já nos chega a acção da gravidade.
Mas se elas forem excessivamente belas, na letra, na música ou na interpretação é claro que não posso deixar de gostar muito porque esse excesso ofusca essa tristeza.

Encontrei esta ontem e gostei muito da voz, do poema e dos arranjos. E só hoje é que descobri que o Caetano faz parte dos autores. Eu logo vi (mentira).

 Adriana Calcanhoto - Naquela Estação


Você entrou no trem
E eu na estação
Vendo um céu fugir
Também, não dava mais para tentar
Lhe convencer a não partir

E agora, tudo bem
Você partiu
Para ver outras paisagens
E o meu coração embora
Finja fazer mil viagens
Fica batendo parado
Naquela estação
(João Donato/Caetano Veloso/Ronaldo Bastos)

sábado, 21 de março de 2009

Adriana Calcanhotto e Jards Macalé
Anjo Exterminado

Hoje descobri um site com músicas chamado MP3Tube. E descobri outro compositor: Jards Macalé. E uma nova canção.

Cliquem no Play e curtam.

 Adriana Calcanhotto - Anjo Exterminado


Quando você passa três, quatro dias desaparecida
Eu me queimo num fogo louco de paixão
Ou você faz de mim alto-relevo no seu coração
Ou não vou mais topar ficar deitado
Um moço solitário, poeta benquisto
Até você tornar doente, cansada, acabada
Das curtições otárias

Quando você passa três, quatro dias desaparecida
Eu subo desço, desço subo escadas
Apago acendo a luz do quarto
Fecho abro janelas sobre a Guanabara
Já não penso mais em nada
Meu olhar vara vasculha a madrugada
Anjo exterminado
Olho o relógio iluminado anúncios luminosos
Luzes da cidade, estrelas do céu
Eu me queimo num fogo louco de paixão
Anjo abatido
Planejo lhe abandonar
Pois sei que você acaba sempre por tornar ao meu lar
Mesmo porque não tem outro lugar onde parar
(Jards Macalé e Waly Salomão)

segunda-feira, 16 de março de 2009

Adriana Calcanhotto - Traduzir-se

Hoje trago outra música cantada pela Adriana. Já a pudémos ouvir cantada AQUI (aos 7:20) pela Nara Leão e por Raimundo Fagner. Nesta versão da Adriana o poema aparece completo e no fim escutamos uma interrogação que diz respeito a todas as canções, a todas as expressões humanas possuidas pelo belo: traduzir uma parte noutra... será arte?

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
alomoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
(Ferreira Gullar)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Adriana Calcanhotto - Vidas Inteiras

Acabo de descobrir uma música nova para mim. Quentinha porque acabada de sair das minhas... emoções a quente: Vidas Inteiras (Banda sonora do filme Polaróides Urbanas).

Não gostei das primeiras músicas que escutei da Adriana, no Público (2000). Foram-me indigestas. Pareciam-me uma coisa só pretensiosa. Mas felizmente com os CDs subsequentes passou-me a indigestão. Mais tarde até comprei o DVD. E agora não passo sem a voz, a poesia e a inovação adriânica :)

Escutem e leiam:

Não seja por isso
Eu não tenho pressa
Eu posso esperar vidas inteiras
Mas tenha a certeza de que lhe interessa
Deixar escapar o ouro do agora
Para que não seja numa tarde dessas
Tarde demais

Não seja por isso
Eu não tenho pressa
Eu posso esperar vidas inteiras
Mas tenha a certeza de que lhe interessa
Deixar escapar o ouro do agora
Para que não seja qualquer tarde dessas
Tarde demais
(Adriana Calcanhotto)